Secretário da Defesa Civil fez a promessa na 9ª edição do Seminário da Enchente de 1974, debatido nesta sexta-feira.
Willian Reis
Tubarão
Até o fim deste mês, a Fundação do Meio Ambiente (Fatma) deve conceder as licenças ambientais para as obras de redragagem do rio Tubarão. Pelo menos essa foi a promessa feita pelo secretário de Estado da Defesa Civil, Rodrigo Moratelli, durante a 9ª edição do seminário sobre a enchente de 1974, ocorrida sexta-feira em Tubarão.
O presidente do Conselho Municipal de Segurança de Tubarão (Comset), Maurício da Silva, um dos organizadores, diz que esta foi a melhor edição do ciclo de debates, tanto pelo número de participantes quanto pela qualidade das apresentações. Ele afirma que o evento segue três eixos: a memória, a prevenção e a reação eficiente em caso de catástrofe.
O engenheiro agrônomo Claudemir Souza dos Santos, coordenador da Comissão de Acompanhamento dos Projetos para Manutenção da Calha do Rio Tubarão, foi um dos palestrantes e comentou a situação da barra do Camacho, único extravasor para as bacias dos rios Congonhas e Tubarão.
Ele defende que a barra, por sua função, deva ficar sempre aberta. O último desassoreamento ocorreu em novembro de 2007, quando foram retirados 76 mil metros cúbicos de material. Em 2011, houve a remoção de alguns bancos de areia, o que não chega a ser suficiente, já que a manutenção deveria ocorrer a cada cinco anos em média.
Segundo o engenheiro, além de dragagem completa, é necessário concluir o muro de proteção em pedra do lado norte do canal. São cerca de 330 metros de extensão. “A barra está agonizando. Sem intervenção, fecha até o fim do ano”, afirma.
O grupo coordenado por Sousa alerta que a dragagem do rio precisa ter garantia de que não haverá riscos para as margens no Centro nem avanço excessivo de água salgada. A comissão pede também cuidado no tratamento dos poluentes a serem retirados do fundo do rio, bem como medidas compensatórias, por exemplo a revitalização do rio da Madre.
Desde 2012, a comissão, formada por 21 entidades, solicita estudos de viabilidade para obras complementares, como a construção de barragens e novos canais extravasores.
Redragagem já consumiu R$ 2,4 milhões
Entre projeto executivo (2012) e ambiental (2014), o governo do Estado já investiu R$ 2,4 milhões na redragagem do rio Tubarão. Com a licença ambiental, fica autorizado a buscar recursos financeiros junto à União para executar a obra. Os estudos avaliaram 34 quilômetros de rio, da ponte Cavalcanti até entre os Molhes da Barra, em Laguna.
Estima-se que o volume de material a ser removido é de 10.300.000 de metros cúbicos. Hoje a vazão do rio é de 1,2 mil metro cúbico por segundo. Com a dragagem, deve passar para 2,1 mil metros cúbicos por segundo.

